Mukua é o fruto de uma árvore africana, o Baobá.
O Baobá assim como diversos outros elementos afrocivilizatórios, simboliza a sabedoria e a ancestralidade africana.
O Programa Mukua utiliza essa simbologia para apresentar uma proposta de “Afro Envolvimento” as Comunidades Quilombolas do Baixo Amazonas na região de Oriximiná.
O projeto propõe um programa dividido em 4 linhas distintas, porém interligadas ao Tambor como elemento fundamental do projeto:
Oficina para construção de Tambores,
Oficina de Percussão,
Oficina de Estética Afro
Pedagogingas.
Presentes nas mais diversas manifestações de fé, música e dança, os Tambores outrora perseguidos, continuam tendo sua cultura sob risco do modelo de sociedade capitalista e são um símbolo de resistência. Mas há uma outra característica do tambor, talvez não tão evidente: o tambor comunica. Tocado ancestralmente para anunciar uma morte, uma festa, um nascimento; tocado no Brasil para guiar um negro fugindo da escravidão até o quilombo mais próximo.
O tambor é a primeira internet. Alguma coisa acontece quando se toca tambor. Foi colocando Kofi Annan, então secretário-geral da ONU, para tocar atabaque, que quando então ministro, Gilberto Gil fez um discurso pela paz, mostrou a todos a importância estratégica do Ministério da Cultura, e lembrou ao diplomata suas raízes.
Trabalhando além de “como”, o “porque” construir um instrumento, onde a abordagem dos conteúdos históricos e culturais a cerca de cada instrumento contribui para a formação de uma consciência coletiva baseada na valorização dos aspectos humanos, culturais e raciais, patrimônios imateriais de nosso país, além da possibilidade de tocar um instrumento, o trabalho de construir instrumentos pode possibilitar também, a conquista de uma profissão, que através da contínua busca de formação e informação, pode se tornar uma fonte de renda através da venda direta dos instrumentos ou da transmissão do conhecimento adquirido em oficinas culturais.